Hoje
estava lembrando-me da minha saudosa Vó. Eu a chamava de mãe. Ela me ensinou a
dar sempre o meu melhor a Deus com esforço, do contrário melhor não dar. Me
ensinou também a ser sensível a dor do meu semelhante e dos animais. Lembro-me
que ela não podia ver um gato ou cachorro abandonado na rua que já levava para
casa e arrumava um cantinho em nosso quintal. Quando passavam pessoas pedindo
ajuda, ela mandava ir até o armário amarelo bebê (era um amarelo bem claro) e
pegar alguma comida, ou quando era urgente se levantava da rede e dirigia-se
até o fogão para dar um prato de comida.
Ela
sempre mandava ler a bíblia, quando não nos (eu e minha irmã) convidava a fazer
o culto doméstico. Sentada na cadeira da cozinha, bíblia e cantor sobre a mesa (lembro-me
como se fosse hoje), abria a bíblia lia um salmo, orava, abria o cantor
cristão, orava e lia um texto como devocional do dia e por fim a oração final.
Lembro-me
de cada palavra, do tom de sua voz, do seu sorriso, seu andar, o cheiro do seu
café bem cedinho ao som do bandeira dois (Rádio Jornal do Comércio).
Minha
Vó era natural de Pesqueira, interior do estado de Pernambuco. Sem muito
estudo, mas com um dom incrível para escrever peças teatrais. Tinha um grupo de
teatro chamado: “missão dorcas”. O grupo tinha tudo para figurinos: joias,
roupas, calçados... A grande maioria dos que faziam parte do grupo de teatro
eram de pré-adolescentes a jovens. Todos tinham grande respeito e admiração por
minha Vó. Dona Carminha, irmã Carminha, Carminha, ou mesmo do Carmo, era como
ela era chamada. O grupo fez diversas apresentações teatrais e também
coreográficas (dança e gestos). Sempre querida e rodeada pelos jovens ela com
seu agir me ensinou a não apenas falar do Evangelho, mas manifestá-lo de
diversas maneiras.
Outra
coisa que me veio à mente, quando éramos mais novos (eu e minha irmã), minha Vó
sempre ia ao culto da quarta-feira (culto de doutrina). Éramos crianças na
época, mas não podíamos levar brinquedos, no máximo papel e caneta para
desenhar, porém sem fazer barulho. Um dia perguntei a ela porque não podíamos
brincar ou conversar no culto, e ela respondeu: aqui nos reunimos para falar
coisas da bíblia e adorar a Jesus. Confesso que na época não entendi muito a
resposta dela.
Um
dia estava brincando debaixo do pinheiro que ficava na frente da casa ela me chamou
para me mostrar como eu deveria entrar na igreja com a almofada e minha irmã
com a bíblia (seria uma cerimônia de consagração infantil – momento onde se
apresenta a criança a Deus). Quando terminou de nos mostrar ela me disse: um
dia você será um pastor. Um irmã chamada Geane estava lá e concordou com ela
dizendo, domingo ele já vai se parecer com um pastorzinho entrando de gravata,
todo social levando a almofada. Minha Vó deu um sorriso e seus olhos brilhavam.
No domingo quando eu e minha irmã entravamos na igreja como havíamos ensaiado
lá da frente olhei para minha Vó para ver se tínhamos feito tudo certo, ela com
os olhos cheios de lágrimas abriu o sorriso e fez sinal positivo com a cabeça.
Se
eu fosse escrever aqui tudo que me lembro, o que aprendi com cada coisa, seriam
inúmeros textos. Vai fazer três anos que ela se foi, mas tudo em minha mente
parece que foi ontem.
Ah,
como queria que ela estivesse aqui ainda, pra ela ver que hoje sou professor e
vou ser pai de um menino (digito com um nó na garganta e lágrimas nos olhos).
Agradeço
a Deus, pois Ele me deu o privilégio de conversar com minha ela três dias antes
dela partir e neste dia parecia uma despedida me dando conselhos (os quais
venho que empenhando a colocá-los em prática) e também disse: meu filho já que
és pastor, quero que faças meu velório e lembre de cantar “rosto de Cristo”. Estive com ela ainda nos últimos
momentos dela aqui.
O
que quero enfatizar com este breve relato? Simples, mesmo que não tenha tempo,
encontre tempo para amar, para depois seu tempo não ser só lamento de quem
nunca soube demonstrar que amava. Tempo que passa é tempo que não volta, pois é
uma constante viagem de ida sem volta. Valorize cada momento! Se hoje gosto de
ler e compartilhar mensagens do Evangelho de Cristo também devo isso a minha Vó.
Aprendi a respeitar as pessoas com suas diferenças pelo que elas são e não pelo
que possuem. Aprendi a respeitar, cuidar e amar a natureza e perceber nela o
cuidado de Deus. Aprendi a amar e valorizar o meu semelhante procurando ver
nele a imagem de Deus, também aprendi a amar os animais. Louvo a Deus, porque
mesmo ela não estando aqui, tenho muito dela em mim, seus conselhos e ensinos. Ô saudade de minha mãe velhinha.
NEle, que nos ensina o tempo todo com tudo.
Um caminhante no Caminho.
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O Caminho é uma pessoa e seu nome é
Jesus!
Graça, bondade, paz, perdão e amor...
Que assim seja nosso caminhar!